GENETICA UMA TECNOLOGIA DE RESULTADO

O desenvolvimento da bovinocultura no Brasil iniciou-se com a escolha de várias raças exóticas que foram sendo importadas ao longo dos anos. Algumas destas raças tiveram uma excelente adaptação , outras tiveram diversos problemas e grandes dificuldades de adaptação. Em algumas regiões determinadas raças mostraram ótimos resultados, por exemplo as raças européias na região sul conseguiram atingir índices de produção similares aos obtidos nos seus países de origem, as raças zebuínas conseguiram na região nordeste uma grande capacidade de resistir as condições climáticas adversas , na região centro-oeste as raças zebuínas quando cruzadas com as raças européias mostram excelentes resultados técnicos.

A verdade é que até hoje várias são as observações e constatações sobre qual raça a ser usada nas diversas regiões do país. O Brasil pela diversidade regional e suas respectivas condições exige um constante trabalho de desenvolvimento genético especifico e voltado para cada situação

A genética é sem duvida o fator de produção mais importante para o sistema, uma escolha errada pode representar alguns anos de trabalho e consequentemente uma perda financeira considerável. A escolha de qual raça a ser utilizada passa por uma série de critérios que vão desde as condições edafoclimáticas ( solo e clima ) até as condições mercadológicas e a estrutura de comercialização.

Ë muito comum verificarmos situações aonde a escolha da raça foi realizada de forma amadora seja pela emoção ou por simples simpatia por uma cor ou tamanho. Vários são os casos de encontrarmos uma determinada raça em uma região com condições adversas a natureza daquela raça. Como exemplo podemos citar a introdução da raça Holandesa preta e Branco para produção de leite na região do Vale do Rio Paraíba, esta região considerada de clima quente e muito montanhosa não pode ser adequada para uma raça tão sensível ao calor e as condições de topografia acentuada. Este exemplo é encontrado até hoje em várias fazendas desta região.

Na pecuária de leite após muitos anos ( 70 anos ) o Brasil desenvolveu um tipo de vaca com perfeitas condições de adaptação ao clima tropical: é a vaca GirHolanda, esta um cruzamento da raça zebuína Gir com a raça europeía Holandesa ,gerou um animal com nível de produtividade e uma relação custo benefício favorável ao produtor. Ressalta-se que 70 anos é um tempo muito longo para fixar um tipo de animal que gere um resultado positivo para os produtores. Em outros países como a Austrália , a Nova Zelândia e a Jamaica, o desenvolvimento de um animal adapatado foi em um prazo mais curto devido principalmente a escolha da raça base do cruzamento ( escolheu-se a raça Jersey como raça européia ).

Na pecuária de corte o desenvolvimento de raças e tipos de animais especializados esta em pleno vapor, o uso de raças européias e raças sintéticas ( tipos de animal voltados para a produção de carne ) é cada vez maior por parte de criadores. Após a consolidação do uso das raças zebuinas ( Nelore, Guzerá , Tabapuã, Hindu-Brasil e Gir ) o criador nacional descobriu que o choque sangüíneo provoca um resultado considerado na engorda dos animais ( vigor híbrido ), a partir daí começou-se um grande laboratório de cruzamentos entre as raças zebuínas com diversas raças européias especializadas em carne.

Atualmente vivemos o "boom da genética do gado de corte ", na região centro-oeste é comum empreendimentos com resultados fantástico no que diz respeito a tempo de abate e peso ao abate. A nova genética permite um boi engordar com 20 a 24 meses até 16-17 arrobas. Logicamente este resultado é obtido pelo criador que soube fazer a escolha das raças ou tipos a serem utilizados na sua fazenda.

O desenvolvimento do uso de touros mestiços também representa um grande momento para a pecuária de corte, há até dez anos atrás não se cogitava o uso destes animais, não existia uma tecnologia que comprova-se a eficácia destes animais.. Atualmente é possível fazer aquisição de touros mestiços já comprovados através de certificados que garantem a procedência e as características dos futuros reprodutores. São usadas diversas tecnologias como o uso da ultra-sonografia na avaliação de carcaças em animais em vida que permite obter uma projeção sobre a capacidade de rendimento de carcaça daquele animal e consequentemente sua possibilidade de transmitir esta característica para sua futura descendência.

A genética é sem duvidas um fator de produção determinante no sucesso da atividade de pecuária de leite ou da pecuária de corte. Cabe ao proprietário e empresário rural Ter como prioridade um direcionamento técnico e profissional a fim de evitar decepções e perdas financeiras dentro da atividade de pecuária.

Rio de janeiro, 28 de junho de 1999.

Fabio Ramos

Agrosuisse

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