Nota 08

"O RENASCIMENTO DA PECUÁRIA NA REGIÃO NORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO"

A região Norte é de longe a melhor opção para o desenvolvimento da agropecuária e agroindústria no estado do Rio de Janeiro. A aptidão natural das áreas de produção e seus potenciais garantem o retorno de investimentos no agronegócio

Por muitos anos a região foi conhecida pelas grandes usinas de cana-de-açúcar e grandes fazendas. Áureos tempos de fartura, a produção de cana em solos ricos e a garantia de safras com altos lucros. A região por 30 anos consecutivos teve um crescimento significativo.

A pecuária de corte e de leite sempre foi coadjuvante da cana-de-açúcar, ou seja, quase todos os proprietários de terra tinham uma pecuária de subsistência para atender necessidades internas. Alguns com sistemas de produção com baixo nível de tecnologia.

A partir da década de 90 inicia-se uma verdadeira mudança no panorama de desenvolvimento regional.

As mudanças de política interna no Brasil e a transformação nas relações comerciais, inclusive externas, levaram o setor agropecuário para uma posição de risco. Nas usinas e na cultura de cana-de-açúcar o efeito foi direto devido a mudança de rumo no programa pró-alcool.

A região com métodos tradicionais de produção e baixos resultados de produtividade não estava preparada para as mudanças em curso.

Em 1998 fica evidente que a região necessita de novos rumos no desenvolvimento da agropecuária e agroindústria. A região esta pronta e a cidade de Campos tem toda a infra-estrutura para garantir o crescimento do agronegócio.

A pecuária de corte esta em expansão na região. O trabalho de controle da febre aftosa é o cartão de visita para o crescimento da atividade.

O credenciamento da carne pela qualidade e pela isenção de doenças é o passaporte para as exportações e para atender o mercado interno nas cidades do Rio de Janeiro, Vitória e demais vizinhos.

A região esta suprida de abatedouros e frigorífigos para absorver a produção pecuária, inclusive está capacitada para atender as recentes exigências da portaria 304 do governo federal, ou seja classificação por tipo de corte e rotulagem da carne.

A pecuária de corte já possui um nível de tecnologia bastante satisfatório. Em várias regiões do Brasil é possível ver sistemas com altos índices de produtividade e rendimentos por hectare comparáveis a algumas atividades agrícolas. Hoje a pecuária é uma atividade de baixo risco técnico.

A presença de universidades como a UENF e a realização de pesquisas direcionadas para desenvolvimento da agropecuária vão garantir a consolidação de tecnologias contribuindo para o crescimento regional.

Podemos afirmar que a região tem uma nova oportunidade de desenvolvimento. A pecuária deve ser introduzida e direcionada para um sistema moderno de produção.

A pecuária de corte dispõe de tecnologias simples e eficientes. Começando pela escolha da genética a ser usada, deve ser baseada no potencial de atingir níveis de produtividade competitivos. O boi gordo deve atingir 16 arrobas no máximo em 2,5 anos.

O manejo nacional e rotativo das pastagens em conjunto com uma correta mineralização permite uma maior lotação e consequentemente uma boa rentabilidade por área. Com a lotação de até 3 cabeças por hectare é possível atingir R$150,/ha/ano. O manejo sanitário preventivo com práticas pré-estabelecidas e dosagens corretas garante a saúde do rebanho e a economia nos custos de produção.

Aliado a todas estas tecnologias é necessário uma gerencia moderna com uma nova filosofia de desenvolvimento para a região.

Outubro - 1998

Fábio Ramos

Diretor Agrosuisse

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